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84 páginas | poesia 

Ofícios Terrestres, 2025


"Olho a pedra e vejo apenas/pedra", diz a poeta, no poema que tem o mesmo título do livro. Esta coisa concreta, PEDRA, entretanto, se pode ser lida como um signo da perda da poesia, como em Adélia Prado, parece apontar também um desvio. O sentido muda porque, aqui, a pedra não é mais apenas uma pedra (alegoria, obstáculo): é um objeto – comum e incandescente – que passeia pela casa no oco da mão do filho.

Assim, se a escolha do título Pedra Preta para o livro sinaliza uma perda, salta de dentro desta falta uma poesia outra, armada pelo olhar da escritora-documentarista que procura em cada coisa um espelho. Atenta às epifanias do dia e ao que há de melancólico no mundo, Yasmin Bidim prefere observar a permanência precária das coisas – o que nelas repete sem cessar: “tudo ainda queima”.

Texto da orelha por Mônica de Aquino

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